14.3.13

Poema XVI

Agora só espero a despalavra: a palavra nascida
para o canto - desde os pássaros
.
A palavra sem pronúncia, ágrafa.
Quero o som que ainda não deu liga.
Quero o som gotejante das violas de cocho.
A palavra que tenha um aroma cego.
Até antes do murmúrio.
Que fosse nem um risco de voz.
Que só mostrasse a cintilância dos escuros.
A palavra incapaz de ocupar o lugar de uma
imagem.
O antesmente verbal: a despalavra mesmo.

Manoel de Barros, in Retrato do artista quando coisa

Feliz Dia Nacional da Poesia - 14 de março

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11.3.13

Oração para Aviadores

Foto de Bruno Gorski

Santa Clara, clareai
Estes ares.
Dai-nos ventos regulares,
de feição.
Estes mares, estes ares
Clareai.

Santa Clara, dai-nos sol.
Se baixar a cerração,
Alumiai
Meus olhos na cerração.
Estes montes e horizontes
Clareai.

Santa Clara, no mau tempo
Sustentai
Nossas asas.
A salvo de árvores, casas,
E penedos, nossas asas
Governai.

Santa Clara, clareai.
Afastai
Todo risco.
Por amor de S. Francisco,
Vosso mestre, nosso pai,
Santa Clara, todo risco
Dissipai.

Santa Clara, clareai.

Manuel Bandeira

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Coisas da Terra

Todas as coisas de que falo estão na cidade
entre o céu e a terra.
São todas elas coisas perecíveis
e eternas
como o teu riso
a palavra solidária
minha mão aberta
ou este esquecido cheiro de cabelo
que volta
e acende sua flama inesperada
no coração de maio.

Todas as coisas de que falo são de carne
como o verão e o salário.
Mortalmente inseridas no tempo,
estão dispersas como o ar
no mercado, nas oficinas,
nas ruas, nos hotéis de viagem.

São coisas, todas elas,
cotidianas, como bocas
e mãos, sonhos, greves,
denúncias,
acidentes do trabalho e do amor. 

Coisas, de que falam os jornais
às vezes tão rudes
às vezes tão escuras

que mesmo a poesia as ilumina com dificuldade.


Mas é nelas que te vejo pulsando,
mundo novo,
ainda em estado de soluços e esperança.


Ferreira Gullar

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Chuvas de Março

Águas de Março - Tom Jobim (Interpretação Tom e Elis)




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9.3.13

Parque Nacional do Pico da Neblina

Imagine um só Parque Nacional abrigar as duas montanhas mais altas do Brasil? Essa é a realidade do Parque Nacional do Pico da Neblina. Com uma área de aproximadamente 22.500 km², o Parque é uma unidade de conservação brasileira localizada no norte do estado do Amazonas, próximo a fronteira da Venezuela. Essa localização te faz lembrar o Parque Nacional do Monte Roraima? Não é coincidência. O Parque Nacional do Pico da Neblina, junto com o Parque Nacional da Serra do Divisor, Parque Nacional do Cabo Orange, Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e o Parque Nacional do Monte Roraima < já homenageado neste humilde site > formam o conjunto de Parques Nacionais fronteiriços da Amazônia Brasileira.


O território do Parque Nacional do Pico da Neblina está distribuído pelos municípios de Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. Os dois picos que ele abriga (Pico da Neblina e o Pico 31 de Março) têm, respectivamente, 2.993,8 m e 2.972 metros de altitude. A administração do Parque cabe ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. (ICMBio)
E quais são as grandes atrações? Bem, obviamente temos o Pico da Neblina (a montanha mais alta do Brasil), que, para os aventureiros experientes, oferece uma trilha de trekking em meio à mata fechada, com duração de quatro a cinco dias. Esse programa só vale com autorização do ICMBio. Mas o Pico está localizado na Serra do Imeri, que tem uma beleza natural que encanta o viajante. Na fauna da região encontramos alguns mamíferos e aves ameaçados de extinção, como o macari-preto, cachorro-do-mato-vinagre, onça-pintada, gavião-pega-macaco, gavião-de-penacho e galo-da-serra. A região abriga, ainda, população de origem Yanomami.


Uma curiosidade é que até meados da década de 1960, a atual área que abrange o Parque Nacional do Pico da Neblina era considerada como "terra de ninguém". O Brasil e a Venezuela ainda não haviam terminado com os litígios fronteiriços. O lugar estava completamente intocado, até a descoberta do ouro na região. A chegada ao topo do Pico da Neblina só veio a ocorrer em 1965.

Se você procura diversão em meio a natureza, gosta de escaladas e trilhas, este é o local ideal.




Informações retiradas dos sites: http://www.brasil.gov.br/ e http://pt.wikipedia.org/

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Dois Amantes Felizes

Dois amantes felizes fazem um só pão,
uma só gota de lua sobre a erva,
deixam andando duas sombras que se juntam,
deixam um único sol vazio numa cama.


De todas as verdades escolheram o dia:
não se atavam com fios, mas com um aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras.
A alegria é uma torre transparente.

O ar, o vinho, vão com os dois amantes,
a noite dá-lhes as suas pétalas felizes,
têm direito aos cravos que apareçam.

Dois amantes felizes não têm fim nem morte
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.


Pablo Neruda

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8.3.13

Ilhas Phi Phi, Tailândia

Para quem assistiu A Praia, dirigido por Danny Boyle estrelado por Leonardo Di Caprio, o cenário deste roteiro que escrevo é familiar. São nessas ilhas em que o enredo se desenvolve - especificamente, é em uma dessas ilhas apenas - e o cenário é encantador, sem fazer desfeita nas telonas. 
As Ilhas Phi Phi são um arquipélago de seis ilhas na Tailândia, conhecidas como as joias do mar de Andaman. O arquipélago fica na província de Krabi.
Das seis ilhas componentes do arquipélago, a única habitada é Phi Phi Don. O cenário do filme de Boyle foi a ilha Phi Phi Leh. Tanto essas quanto as outras quatro são protegidas com status de parque nacional. Para constar os outros nomes: Bamboo, Yung, Bida Nok e Bida Nai. A maior parte do movimento está em Phi Phi Don (sendo a única habitada, não é surpresa que lá esteja concentrada a vida urbana do arquipélago).
Segundo alguns reviews que estão pelos site aí na internet, ficar em Phi Phi Don é uma ótima opção, com variedade de hotéis e bangalôs de praia por preços razoáveis, mas, para os aventureiros e amantes de praia como nós, também pode-se acampar em algumas das praias das ilhas de Phi Phi. E essa também é uma ótima escolha para quem busca sossego e tranquilidade, longe da movimentação de turistas. 
Imagina aquela areia branca, fininha, sob os pés, o sol ameno batendo nos cabelos, o mar azul borbulhando nos ouvidos junto com o canto dos pássaros... É isso que você encontra nas ilhas Phi Phi. E a melhor parte é que as maravilhas não se restringem à superfície, inclusive, elas são até mais abundantes debaixo d'água, entre corais e tubarões. Não perca essa chance.




Algumas dicas valiosas para aproveitar bem seu passeio estão nesse site > http://viajeaqui.abril.com.br/ <.
Divirta-se.





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3.3.13

E a bolsa masculina?

Vou a um encontro formal. Boto paletó e gravata. E começo a encher os bolsos: chaves, celular, caneta, cartões de crédito e de visita, carteira, documentos pessoais e do carro, talão, óculos de sol, lenço, iPod — ninguém é de ferro. Em minutos meu terno estufa. O botão do paletó não fecha por causa do celular. Meu traseiro fica quadrado devido aos documentos acomodados nos bolsos de trás. A calça, por causa do peso, escorrega pela barriga, que salta sobre o cinto! E minha elegância desaparece! Pior: dali a pouco tudo se confunde. Para achar algum desses itens, vasculho o interior de minhas roupas com os dedos. Vou pegar a caneta e retiro as chaves.

O vestuário masculino tornou-se obsoleto, essa é a verdade. As sortudas das mulheres têm as bolsas. A bolsa feminina equivale à caixa-preta do avião. Só se sabe o que há lá dentro após uma investigação minuciosa. São itens variados, que vão de maquiagem a tíquetes de passagens antigas e fotos de entes queridos amassadas. Mas é confortável. A proprietária de uma bolsa enfia o que quiser lá dentro. Resgata quando houver necessidade. Mesmo se for preciso espalhar o conteúdo no sofá. E, em casos extremos, chamar o Corpo de Bombeiros!

A bolsa masculina já esteve em moda. Não me refiro à época dos hippies barbudões com horrendos artefatos de couro cru e sandálias nos pés. Houve um tempo em que homens usavam bolsas elegantes. Recheadas de inutilidades, mas, apesar dessa contradição, úteis. Grandes grifes ainda produzem bolsas masculinas. Poucos as usam.

As pochetes são práticas, mas ganharam fama de cafonas. Confesso: tenho horror! Existe imagem mais brega do que a de um barrigudo com o botão aberto no umbigo e uma pochete estufada no cinto?

Os executivos preferem as pastas. Elas costumam oferecer compartimentos para laptop, documentos variados, bloco de notas, remédios, três ou quatro celulares, enfim... tudo! Tais quais as bolsas femininas, abrigam mistérios. Só são esvaziadas de tempos em tempos, diante de uma ameaça de divórcio, por exemplo. Com frequência, moscas, vespas e até aranhas secas são encontradas entre a papelada.

Pastas são sérias demais. Não combinam com um jeans informal, uma camiseta leve e tênis. E o pior: é muito fácil esquecê-las. Ou vê-las arrebatadas pelas mãos de um larápio. Hoje em dia, perder um laptop ou celular pode se transformar em prejuízo irremediável. Vão embora os contatos comerciais, endereços, enfim... a vida toda!

Alguns preferem mochilas. Executivo de terno e gravata com mochilinha de lona nas costas é uó. Livros, laptop, documentos, perfumes, desodorantes, cuecas limpas e até sujas no caso de viagens rápidas lutam para se acomodar dentro da lona. Eu já imagino: o executivo marca uma reunião com o presidente de um banco para pedir um empréstimo. Vai pegar o laptop para mostrar o projeto. E retira uma cueca, a escova e a pasta de dentes!

Os papas da moda masculina vivem discutindo o número de botões de paletós, a largura das lapelas, se as barras são para dentro ou fora. Redesenham relógios que se tornam cada vez mais inúteis em um mundo onde se veem as horas no celular. Mas ninguém propõe uma solução radical para a roupa do homem.

A volta da bolsa é apenas um item. Enquanto a moda feminina evolui e se transforma a cada ano, a masculina marca passo. Olho as vitrines dos shoppings e tudo é semelhante ao ano passado. Fico pensando: quando algum estilista oferecerá uma mudança radical, capaz de fazer a cabeça de todos nós e tornar o traje masculino realmente prático e confortável?

Walcyr Carrasco

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2.3.13

Mamonas Assassinas - 17 anos

Dia 2 de março de 1996 terminava a carreira da banda Mamonas Assassinas em um fatídico acidente aéreo. Para nós, brasileiros, é um marco na história da música. Os jovens fizeram sucesso com um rock cômico e conquistaram mais de 3 milhões de vendas com seu único álbum, Mamonas Assassinas.
Segue o clipe de Pelados em Santos, um dos grandes sucessos da banda.
Impossível esquecê-los.


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