31.5.13

Um Papo com Carpinejar

Sempre Um Papo, com Fabrício Carpinejar (lançamento de seu livro Mulher Perdigueira). Não perca!


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Um Papo com Adélia Prado

Programa Sempre Um Papo - Adélia Prado

Um papo sobre a beleza, a obra de arte, a forma das coisas e a essência poética do mundo, se ela existe. Não perca. 




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Ghost Theme

Unchained Melody - Ghost Theme



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30.5.13

To make you go "Awnnnnn"

Uma linha selvagem de fofura. Enjoy!

















Gostou? Essa série foi retirada de www.boredpanda.com. Nesse site, você pode conferir os créditos pelas imagens também.



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29.5.13

"Porque está lá"

Matéria da Superinteressante



No dia 25 de maio de 2002, quando Peter Hillary conseguiu escalar o Everest, sabia que tinha pouco tempo para saudar seu grande herói. Antes que o ar rarefeito e o vento gelado consumissem a pouca energia que lhe restava, pegou o telefone por satélite e ligou para a Nova Zelândia: "Papai, estamos no topo. O que o senhor fez há quase 50 anos é inacreditável".

No acampamento-base da expedição (organizada pela National Geographic Society como parte das comemorações de meio século da conquista do Everest), Peter tinha o apoio de Jamling Norgay. Os dois são filhos, respectivamente, do neozelandês Edmund Hillary e do sherpa Tenzing Norgay, os primeiros homens a colocar os pés no ponto mais alto do planeta, a 8850 metros de altitude. Inacreditável talvez seja mesmo a melhor palavra para descrever a façanha alcançada às 11h30 da manhã de 29 de maio de 1953. Desde um século antes, mais precisamente em 1852, sabia-se que aquela montanha, na cordilheira do Himalaia, bem na fronteira entre o Nepal e o Tibete, era a mais alta do mundo. Na época, porém, era conhecida apenas como Pico XV. Em 1865, foi rebatizada em homenagem a George Everest, ex-topógrafo-geral da Índia. Quase seis décadas mais tarde, em 1921, Charles Howard-Bury chefiou a primeira expedição britânica à região. O grupo chegou a 6860 metros de altitude e saiu de lá confiante de ter descoberto o caminho rumo ao ponto mais alto do planeta. Acreditava-se que ele tinha 8848 metros, mas medições com GPS realizadas em 1999 confirmaram que o "grande E" tem 2 metros a mais.

"Porque está lá"

Na ocasião, perguntaram a George Mallory por que escalar o Everest. O alpinista respondeu com uma frase que se tornaria célebre: "Porque está lá". Porque estava lá, Mallory, Howard Sommervell e Arthur Wakefield fizeram a primeira tentativa de chegar ao pico no ano seguinte. Fracassaram. Em 1924, nova investida. No dia 8 de junho, Mallory e Andrew Irvine estavam muito perto do topo quando foram "engolidos" pelas nuvens. Nunca mais voltaram. Nem mesmo a descoberta do corpo congelado de Mallory, em 1999, respondeu à pergunta que muitos se fazem desde então: eles conseguiram?

Na primeira metade do século passado, 18 pessoas morreram ao tentar a escalada, até porque as condições em que partiam rumo ao cume eram bastante precárias. Não havia tecidos ou calçados capazes de resistir ao frio e à umidade, as barracas eram pesadas e até o uso de oxigênio suplementar era complicado e inseguro.

Por tudo isso, a conquista de 1953 foi festejada com enorme alegria e admiração. Foi uma megaexpedição, com dez alpinistas e 350 carregadores de origem sherpa, povo que vive no Himalaia desde o século 16 e que se mostraria essencial para vencer a montanha. Em locais assim, a pressão atmosférica é metade da registrada ao nível do mar, ou seja, só há 50% do oxigênio disponível na maioria das concentrações urbanas. Dali para cima, a situação se torna cada vez mais crítica. A 8 mil metros, por exemplo, o oxigênio corresponde a apenas 30% do que o nosso corpo está acostumado. É a chamada zona da morte - o batimento cardíaco passa de 120 por minuto, em repouso; e as alucinações são freqüentes. Sem falar nos ventos constantes, nas temperaturas que variam de 15ºC a 45ºC negativos e na possibilidade de ser atropelado por uma avalanche, fenômeno responsável pela maior parte das mortes.

É preciso querer muito superar o desgaste físico pelo prazer de desafiar a natureza.

O sherpa Norgay (nome que significa afortunado) tinha 39 anos e participara de outras seis expedições. Destacava-se pela força física, pela tenacidade e pela reverência que guardava em relação à montanha - os tibetanos a chamam de Chomolungma, ou deusa-mãe do mundo. No ano anterior, tinha chegado a 8598 metros junto com o suíço Raymond Lambert, marca nunca antes alcançada. O apicultor Hillary, 33 anos, se aventurava pela segunda vez. Estava no auge da forma física e tinha experiência como montanhista na Nova Zelândia e em expedições de reconhecimento na Cordilheira do Himalaia (numa delas, ajudara a mapear o lado sul do Everest). No percurso, Norgay salvou Hillary de uma queda numa fenda - e ambos se aproximaram. Em 21 de maio, 40 dias após o início da aventura, os dois passaram a escalar sempre juntos. Exatamente uma semana mais tarde, eles passaram a noite a 8500 metros de altitude. Na manhã seguinte, partiram para o último e mais complicado trecho: superar um paredão de cerca de 12 metros de rocha lisa quase sem pontos de apoio, batizado mais tarde de Escalão Hillary. "Uma saliência de gelo pendia sobre a rocha à direita, com uma longa fenda em seu interior. Sob ela, a montanha descia pelo menos 3 mil metros até a geleira Kangshung. Será que ela me aguentaria? Só havia um modo de descobrir", contou Hillary. O resto é história.

Nestes 51 anos, mais de 10 mil pessoas já desafiaram a montanha. Até o ano passado, 175 tinham morrido ao longo do caminho. E pouco mais de 1200 conseguiram atingir o cume. Em maio de 1975, a japonesa Junko Tabei foi a primeira mulher. Em agosto de 1980, o italiano Reinhold Messner completou outra façanha inédita: chegou lá sem oxigênio suplementar. No dia 14 de maio de 1995, Waldemar Niclevicz e Mozart Catão levaram a bandeira brasileira ao topo do mundo. E em maio de 2001 o americano Erik Weihenmayer, conduzido por amigos e amarrado por cordas, saltou fendas literalmente no escuro para se tornar o primeiro cego a completar a subida. Tudo para poder repetir a frase de Edmund Hillary a seu colega George Lowe, que o aguardava no acampamento IV, a mais de 6 mil metros de altitude, em maio de 1953: "Pronto, liquidamos o filho da mãe".

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26.5.13

Necrológio dos Desiludidos do Amor

Fernanda Torres interpreta (maravilhosamente) a poesia Necrológio dos Desiludidos do Amor, de Carlos Drummond de Andrade.


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25.5.13

As 10 livrarias mais incríveis!

O blog da Estante Virtual, inspirados pelo sucesso do post "As 12 bibliotecas mais incríveis do mundo", resolveu ir atrás das livrarias que merecem nosso carinho e atenção. Achei a matéria tão precisa, informativa e tão, tão interessante, que resolvi trazê-la para vocês. Vocês podem conferi-la também no próprio site da Estante Virtual: http://www.estantevirtual.com.br/as-10-livrarias/

Classificada como a livraria mais bonita do mundo pelo The Guardian, a Boekhandel Selexyz Dominicanen, na Holanda, fica localizada dentro de uma igreja dominicana do século XII. A estrutura gótica foi conservada e adicionaram apenas as grandes estantes para guardar a vasta seleção de livros. Em segundo lugar, encontramos a Livraria El Ateneo, na Argentina, que foi construída no Teatro Grand Spendid, reconhecido pelas grandes apresentações de tango, é claro! Sua beleza é inegável.



Não muito longe, na cidade do México, encontramos uma livraria bem diferente. A El Pendulo, além de livraria, também é bar e café e possui uma decoração inusitada formada por grandes prateleiras, milhares de livros, e … plantas! Seguindo uma linha ainda de maior excentricidade, temos a Livraria Cook and Books. Nela é possível encontrar livros pendurados no teto e mesas em formato de carros de época. Aliando o prazer de ler e o de degustar uma boa refeição, ela se transformou em um dos maiores centros turísticos de Bruxelas.


A verdade seja dita: a escadaria da Livraria Lello e Irmão, em Portugal, não é de tirar o fôlego?! Não só por seu tamanho, como também por sua beleza. Dizem por aí que ela até inspirou as escadarias de Hogwarts, a escola de bruxos da série Harry Potter. E não é que é mesmo parecida! Já a histórica Shakespeare and Company nasceu no centro de Paris, em 1919, e foi fundada pela americana Sylvia Beach. A livraria recebeu visitas de grandes escritores como Ernest Hemingway, Ezra Pound e F. Scott Fitzgerald. Com a invasão dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, ela foi fechada. Mas, felizmente, em 1951, George Whitman abriu uma nova livraria e a batizou com o mesmo nome. Hoje é considerada a livraria mais charmosa do mundo e possui mais de 8 mil títulos!


Se por um lado o museu Palazzo delle Esposizioni, em Roma, exibe uma arquitetura neoclássica, a livraria dentro dele, a The Bookàbar Bookshop, não tem nada de clássica e possui um estilo bem mais moderno. Ela ocupa um espaço de mais de 450 metros quadrados repleto de livros sobre arte, arquitetura e design. Outra livraria de estilo bem moderno é a Poplar Kids Republic, na China. Construída para o público infantil, a livraria possui mais de 3 mil exemplares ilustrados e também oferece cursos de arte e recreação para a criançada!


Tá achando que livrarias assim só existem lá fora? Ao contrário do que pensam alguns, não é preciso ir tão longe para nos deparamos com livrarias incríveis. Aqui no Brasil temos dois grandes exemplos: a Livraria da Vila e a Livraria Cultura, ambas em São Paulo. A Livraria da Vila fica no bairro Jardim Paulista, na rua Alameda Lorena, e possui cerca de 22 mil livros, sendo a maioria dedicada também às crianças. Já a Livraria Cultura fica na Avenida Paulista e foi uma das pioneiras em criar espaços confortáveis para os leitores apreciarem a leitura de um bom livro dentro da própria loja.


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Florianópolis, SC


Florianópolis foi nomeada pela revista semanal brasileira Veja de “o melhor lugar para se viver no Brasil”, por isso nada mais natural do que os turistas quererem conhecê-la também. E eles vão mesmo. Florianópolis é um destino florescente por suas praias perfeitas, excelente surfe, frutos do mar deliciosos e a justaposição de uma cidade grande moderna com fortificações coloniais do século XVI e mercados e parques tranquilos.
O texto, extraído do TripAdvisor, traz grandes indicações do que é conhecer Florianópolis, um lugar para se apaixonar, para aproveitar as praias, as cachoeiras, as trilhas. Lugar para conhecer a histórias, passear, se impressionar com as belezas naturais, as ruínas de edificações imponentes, e - não menos importante -, um ótimo lugar para comer frutos de mar deliciosos ouvindo as ondas quebrarem na areia. Pode haver no mundo uma sensação mais gostosa do que essa?

Uma das primeiras praias que quero apresentar aos viajantes é a Barra da Lagoa. Oficialmente, a praia da Barra da Lagoa conta com 650m. No entanto, a falta de algum acidente geográfico que a separe da praia do Moçambique faz com que a orla tenha mais de 8km de extensão, propiciando longas caminhadas nas areias brancas e finas. O mar possui ondas suaves, que permitem a prática do surfe mas não assusta os banhistas mais inseguros. Isso acontece porque as grandes ondas provocadas pelo mar aberto são freadas pela correnteza do Canal. De qualquer maneira, um posto Salva-Vidas mantém a ordem na praia.
Outra atração é a Ponte Pênsil que passa por cima do Canal da Barra. Do outro lado, uma pequena trilha que passa entre os casebres da comunidade dá acesso à Prainha, uma pequena enseada cercada por enormes rochas e sítios arqueológicos.



Outra praia, com 1,9 quilômetro de areia clara e fina, é Ponta das Canas. Caracteriza-se como uma praia de águas calmas e mansas. Localizada a 34 quilômetros do centro, possui uma ativa colônia de pescadores, com restaurantes à beira do mar. Além disso, um caminho com cerca de 300 m que deve ser percorrido a pé, liga Ponta das Canas à Lagoinha, outra praia de mar calmo e águas límpidas. São menos de 800 metros de praia e, mesmo assim, a Lagoinha é destino certo de muitas famílias. Isso porque a temperatura da água é agradável, as poucas ondas são calmas e a faixa de areia clara e fina constituem diversão garantida para os pequenos.



Ao sul de Floripa encontramos o Morro das Pedras. O espetáculo é imperdível, com ondas sempre agitadas chocando-se contra às pedras e lançando água a metros de altura! Toda a beleza do Morro das Pedras se evidencia, ainda mais, numa visita à Casa de Retiro dos padres jesuítas, construída no topo de uma colina com pedras extraídas do próprio local. O visual, inesquecível, demonstra que a praia permanece intacta, sem construções ou quiosques à beira-mar.



Ao sul também encontramos Lagoinha do Leste. Um dos últimos redutos de Mata Atlântica ainda preservados em Florianópolis, o Parque Municipal da Lagoinha do Leste, foi criado por lei em 1992 e compreende uma área de 453 hectares de beleza exuberante. A melhor maneira de chegar à Lagoinha do Leste é a pé. Há dois caminhos. Segundo o Guia Floripa, você pode fazer a caminhada em uma hora a partir da comunidade do Pântano do Sul, passando pelo meio do mato e dos morros. É o acesso mais utilizado pelos visitantes. O chão é pedregoso e irregular, mas fácil de andar se você prestar atenção onde pisa. Depois da subida, tem-se a surpresa de uma vista fabulosa da Lagoinha. Aí é só descer e afundar os pés na areia da praia. Ou pode pegar o caminho mais longo: começar na Praia da Armação, atravessar um córrego até a praia do Matadeiro e pegar a trilha que vai pela encosta do morro na direção norte-sul, margeando pelo alto do costão à beira-mar. Dá para chegar em duas horas e meia a três horas, num passeio de cartão postal.



E para finalizar, a Praia da Solidão. Bem ao meu estilo, já se pode esperar aquele cenário verde intocado, natureza em toda sua forma exuberante. Chamada pelos mais antigos de Praia do Rio das Pacas, a Solidão, é uma pequena enseada entre a Costa de Dentro e o Saquinho, local onde as pacas eram abundantes.
Hoje, a praia é considerada uma das mais belas paisagens de Santa Catarina por ser um paraíso quase que intocado. O belo cenário, apresenta um visual de areia branca, águas claras e cercado de verdes morros de Mata Atlântica. Entre as árvores, no fim da faixa de areia, é possível se refrescar em um banho de cachoeira que forma uma piscina limpa, de água natural. Junto com o rio que desemboca no mar da praia da Solidão, a cachoeira é a melhor opção para as crianças que evitam as ondas do mar agitado.



Para não dizer que não recomendei nenhum hotel, essa gracinha me conquistou!



É o Backpackers Sunset, a passos da Praia Mole, Joaquina, e com uma vista impagável da Lagoa da Conceição. Fica a dica. =)


Visite, explore, conheça Florianópolis.


Fontes:
http://www.guiafloripa.com.br/turismo/praias/index.php3
http://www.visitefloripa.com.br/onde-ficar/backpackers-sunset-.html

Para mais informações sobre atrações:
http://www.visitefloripa.com.br/coisas-para-fazer.html

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23.5.13

50 Anos de Stevie Wonder

Texto extraído do Globo News, edição do dia 21/05/2013

Nem a cegueira de nascença ou os problemas na infância impediram que Stevie Wonder se tornasse um dos maiores nomes da música soul. O primeiro sucesso veio logo aos 13 anos. Em 21 de maio de 1963, a música ‘Figertips’ era lançada nos Estados Unidos. A canção foi um enorme sucesso. nela, Little Stevie Wonder, como era conhecido, era acompanhado de Marvin Gaye, nas baterias. Ele emplacou outros hits na sequência e até estrelou um filme nos anos 60.

Poucas pessoas sabem, mas Stevie Wonder gravou um álbum só de músicas instrumentais, quase todas tocando gaita, uma paixão desde criança. No projeto paralelo, usou o pseudônimo Eivets Rednow, que nada mais é do que Stevie Wonder ao contrário.

Nos anos 70, o músico se consagrou definitivamente. Era um sucesso atrás do outro. Um deles foi ‘Isn't she lovely’, feita para a filha, na época, recém-nascida. Com apenas 26 anos, lançou um dos álbuns mais consagrados de todos os tempos; ‘Songs in the key of life’ tem músicas que dispensam apresentação.

Nos anos 80, se engajou na política. Foi porta-voz da campanha para que fosse estabelecido um feriado nos Estados Unidos em memória a Martin Luther King. Nesse mesmo período, estourou com ‘I just called to say I love you’, trilha sonora do filme ‘A dama de vermelho’. A canção rendeu um Oscar.

Fez parcerias com grandes nomes da música, como Dionne Warwick, Michael Jackson e Paul McCarney, e até tocou gaita na música ‘Samurai’, de Djavan. Nos últimos anos, percorreu o mundo com uma das turnês mais lucrativas e bem produzidas da indústria da música.

Com meio século de carreira, Stevie Wonder tem mais de 40 álbuns, 22 Grammys, um Oscar e até um título do governo francês que resume bem toda carreira: gênio da música.

Música: Overjoyed - Live at O2 London

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12.5.13

Para Sempre

Por que Deus permite 
que as mães vão se embora? 
Mãe não tem limite, 
é tempo sem hora, 
luz que não se apaga 
quando sopra o vento 
e chuva desaba, 
veludo escondido 
na pele enrugada, 
água pura, ar puro, 
puro pensamento. 
Morrer acontece 
com o que é breve e passa 
sem deixar vestígio. 
Mãe, na sua graça, 
é eternidade. 
Por que Deus se lembra 
- mistério profundo - 
de tirá-la um dia? 
Fosse eu Rei do Mundo, 
baixava uma lei: 
Mãe não morre nunca, 
mãe ficará sempre 
junto de seu filho 
e ele, velho embora, 
será pequenino 
feito grão de milho.   

Carlos Drummond de Andrade
Feliz Dia das Mães.

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11.5.13

Douglas Adams

Hoje, Douglas Adams estaria fazendo 61 anos e 2 meses. E hoje também se completam 12 anos de sua morte, exatamente. O escritor e humorista inglês conquistou uma legião de fãs com sua "trilogia de cinco" O Guia do Mochileiro das Galáxias. Seus livros sempre contém muito de sua filosofia de vida e ideias assustadoramente brilhantes que levam leitores de todas as idades a questionar relacionamentos, desejos, religião, política, a vida, o universo e tudo mais.. Com certeza, Douglas e seu famoso "42" fazem muita falta. Neste dia 11, lembramos de você. Por favor, "desculpe o incômodo". 

(11 m

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4.5.13

O Amor é uma falácia!

Max Shulman 
Eu era frio e lógico. Sutil, calculista, perspicaz, arguto e astuto – era tudo isso. Tinha um cérebro poderoso como um dínamo, preciso como uma balança de farmácia, penetrante como um bisturi. E tinha – imaginem só – dezoito anos.

Não é comum ver alguém tão jovem com um intelecto tão gigantesco. Tomem, por exemplo, o caso do meu companheiro de quarto na universidade, Pettey Bellows. Mesma idade, mesma formação, mas burro como uma porta. Um bom sujeito, compreendam, mas sem nada lá em cima. Do tipo emocional. Instável, impressionável. Pior do que tudo, dado a manias. Eu afirmo que a mania é a própria negação da razão. Deixar-se levar por qualquer nova moda que apareça, entregar a alguma idiotice só porque os outros a segue, isto, para mim, é o cúmulo da insensatez. Petey, no entanto, não pensava assim.

Certa tarde, encontrei-o deitado na cama com tal expressão de sofrimento no rosto que o meu diagnóstico foi imediato: apendicite.

- Não se mexa. Não tome laxante. Vou chamar o médico.

- Couro preto – balbuciou ele.

- Couro preto? – disse eu, interrompendo a minha corrida.

- Quero uma jaqueta de couro preto – disse.

Percebi que o seu problema não era físico, mas mental.

- Por que você quer uma jaqueta de couro preto?

- Eu devia ter adivinhado – gritou ele, socando a cabeça – Devia ter adivinhado que eles voltariam com o Charleston. Como um idiota, gastei todo o meu dinheiro em livros para as aulas e agora não posso comprar uma jaqueta de couro preto.

- Quer dizer – perguntei incrédulo – que estão mesmo usando jaquetas de couro preto outra vez?

- Todas as pessoas importantes da universidade estão. Onde você tem andado?

- Na biblioteca – respondi, citando um lugar não freqüentado pela pessoas importantes da Universidade.

Ele saltou da cama e pôs-se a andar de um lado para o outro do quarto.

- Preciso conseguir uma jaqueta de couro preto – disse, exaltado – Preciso mesmo.

- Por que, Petey? Veja a coisa racionalmente. Jaquetas de couro preto são desconfortáveis. Impedem o movimento dos braços. São pesadas, são feias, são …

- Você não compreende – interrompeu ele com impaciência – é o que todos estão usando. Você não quer andar na moda?

- Não – respondi, sinceramente.

- Pois eu sim – declarou ele – daria tudo para ter uma jaqueta de couro preto. Tudo.

Aquele instrumento de precisão, meu cérebro, começou a funcionar a todo vapor.

- Tudo? – perguntei, examinando seu rosto com olhos semicerrados.

- Tudo – confirmou ele, em tom dramático.

Alisei o queixo, pensativo. Eu, por acaso, sabia onde encontrar uma jaqueta de couro preto. Meu pai usara um nos seus tempos de estudante; estava agora dentro de um malão, no sótão da casa. E, também por acaso, Petey tinha algo que eu queria. Não era dele, exatamente, mas pelo menos ele tinha alguns direitos sobre ela. Refiro-me à sua namorada, Polly Spy.

Eu há muito desejava Polly Spy. Apresso-me a esclarecer que o meu desejo não era de natureza emotiva. A moça, não há dúvida, despertava emoções, mas eu não era daqueles que se deixam dominar pelo coração. Desejava Polly para fins engenhosamente calculados e inteiramente cerebrais.

Cursava eu o primeiro ano de direito. Dali a algum tempo, estaria me iniciando na profissão. Sabia muito bem a importância que tinha a esposa na vida e na carreira de um advogado. Os advogados de sucesso, segundo as minhas observações, eram quase sempre casados com mulheres bonitas, graciosas e inteligentes. Com uma única exceção, Polly preenchia perfeitamente estes requisitos.

Era bonita. Suas proporções ainda não eram clássicas, mas eu tinha certeza de que o tempo se encarregaria de fornecer o que faltava. A estrutura básica estava lá.

Graciosa também era. Por graciosa quero dizer cheia de graças sociais. Tinha porte ereto, a naturalidade no andar e a elegância que deixavam transparecer a melhor das linhagens. Á mesa, suas maneiras eram finíssimas. Eu já vira Polly no barzinho da escola comendo a especialidade da casa – um sanduíche que continha pedaços de carne assada, molho, castanhas e repolho – sem nem sequer umedecer os dedos.

Inteligente ela não era. Na verdade, tendia para o oposto. Mas eu confiava em que, sob a minha tutela, haveria de tornar-se brilhante. Pelo menos valia a pena tentar. Afinal de contas, é mais fácil fazer uma moça bonita e burra ficar inteligente do que uma moça feia e inteligente ficar bonita.

- Petey – perguntei – você ama Polly Spy?

- Eu acho que ela é interessante – respondeu – mas não sei se chamaria isso de amor. Por quê?

- Você – continuei – tem alguma espécie de arranjo formal com ela? Quero dizer, vocês saem exclusivamente um com o outro?

- Não. Nos vemos seguidamente. Mas saímos os dois com outros também. Por quê?

- Existe alguém – perguntei – algum outro homem que ela goste de maneira especial?

- Que eu saiba não. Por quê?

Fiz que sim com a cabeça, satisfeito.

- Em outras palavras, a não ser por você, o campo está livre, é isso?

- Acho que sim. Aonde você quer chegar?

- Nada, ainda – respondi com inocência, tirando minha mala de dentro do armário.

- Onde é que você vai? – quis saber Petey.

- Passar o fim de semana em casa.

Atirei algumas roupas dentro da mala.

- Escute – disse Petey, apegando-se com força ao meu braço – em casa, será que você não poderia pedir dinheiro ao seu pai, e me emprestar para comprar uma jaqueta de couro preto?

- Posso até fazer mais do que isso – respondi, piscando o olho misteriosamente. Fechei a mala e saí.

- Olhe – disse a Petey, ao voltar na segunda feira de manhã. Abri a mala e mostrei o enorme objeto cabeludo e fedorento que meu pai usara ao volante de seu Stutz Beacat em 1955.

- Santo Pai – exclamou Petey com reverência. Passou as mãos na jaqueta e depois no rosto.

- Santo Pai – repetiu, umas quinze ou vinte vezes.

- Você gostaria de ficar com ele? – perguntei.

- Sim – gritou ele, apertando a jaqueta contra o peito. Em seguida, seus olhos assumiram um ar precavido. – O que quer em troca?

- A sua namorada – disse eu, não desperdiçando palavras.

- Polly? – sussurrou Petey, horrorizado. – Você quer a Polly?

- Isso mesmo.

Ele jogou a jaqueta pra longe.

- Nunca – declarou resoluto.

Dei de ombros.

- Tudo bem. Se você não quer andar na moda, o problema é seu.

Sentei-me numa cadeira e fingi que lia um livro, mas continuei espiando Petey, com o rabo dos olhos. Era um homem partido em dois. Primeiro olhava para a jaqueta com a expressão de uma criança desamparada diante da vitrine de uma confeitaria. Depois dava-lhe as costas e cerrava os dentes, altivo. Depois voltava a olhar para a jaqueta. Com uma expressão ainda maior de desejo no rosto. Depois virava-se outra vez, mas agora sem tanta resolução. Sua cabeça ia e vinha, o desejo ascendendo, a resolução descendendo. Finalmente, não se virou mais: ficou olhando para a jaqueta com pura lascívia.

- Não é como se eu estivesse apaixonado por Polly – balbuciou. – Ou mesmo namorando sério, ou coisa parecida.

- Isso mesmo – murmurei.

- Afinal, Polly significa o que para mim, ou eu pra ela?

- Nada – respondi.

- Foi uma coisa banal. Nos divertimos um pouco. Só isso.

- Experimente a jaqueta – disse eu.

Ele obedeceu. A jaqueta ficou bem larga, passando da cintura. Ele parecia um motoqueiro mal vestido da década de cinqüenta.

- Serve perfeitamente – disse, contente.

Levantei-me da cadeira e perguntei, estendendo a mão.

- Negócio feito?

Ele engoliu a seco.

- Feito – disse, e apertou a minha mão.

Saí com Polly pela primeira vez na noite seguinte.

O Primeiro programa teria o caráter de pesquisa preparatória. Eu desejava saber o trabalho que me esperava para elevar a sua mente ao nível desejado. Levei-a para jantar.

- Puxa, que jantar interessante! – disse ela, quando saímos do restaurante. Fomos ao cinema.

- Puxa, que filme interessante! – disse ela, quando saímos do cinema.

Levei-a para casa.

- Puxa, que noite interessante – disse ela, ao nos despedirmos.

Voltei para o quarto com o coração pesado. Eu subestimara gravemente as proporções da minha tarefa. A ignorância daquela moça era aterradora. E não seria o bastante apenas instruí-la. Era preciso, antes de tudo, ensiná-la a pensar. O empreendimento se me afigurava gigantesco, e a princípio me vi inclinado a devolvê-la a Petey. Mas aí comecei a pensar nos seus dotes físicos generosos e na maneira como entrava numa sala ou segurava uma faca, um garfo, e decidi tentar novamente.

Procedi, como sempre, sistematicamente. Dei-lhe um curso de Lógica. Acontece que, como estudante de direito, eu freqüentava na ocasião aulas de Lógica, e portanto tinha tudo na ponta da língua.

- Polly – disse eu, quando fui buscá-la para o nosso segundo encontro. – Esta noite vamos até o parque conversar.

- Ah, que interessante! – respondeu ela.

Uma coisa deve ser dita em favor da moça: seria difícil encontrar alguém tão bem disposta para tudo.

Fomos até o parque, o local de encontros da universidade, nos sentamos debaixo de uma árvore, e ela me olhou cheia de expectativa.

- Sobre o que vamos conversar? – perguntou.

- Sobre Lógica.

Ela pensou durante alguns segundos e depois sentenciou:

- Interessante!

- A Lógica – comecei, limpando a garganta – é a ciência do pensamento. Se quisermos pensar corretamente, é preciso antes saber identificar as falácias mais comuns da Lógica. É o que vamos abordar hoje.

- Interessante! – exclamou ela, batendo palmas de alegria.

Fiz uma careta, mas segui em frente, com coragem.

- Vamos primeiro examinar uma falácia chamada Dicto Simpliciter.

- Vamos – animou-se ela, piscando os olhos com animação.

- Dicto Simpliciter quer dizer um argumento baseado numa generalização não qualificada. Por exemplo: o exercício é bom, portanto todos devem se exercitar.

- Eu estou de acordo – disse Polly, fervorosamente. – Quer dizer, o exercício é maravilhoso. Isto é, desenvolve o corpo e tudo.

- Polly – disse eu, com ternura – o argumento é uma falácia. Dizer que o exercício é bom é uma generalização não qualificada. Por exemplo: para quem sofre do coração, o exercício é ruim. Muitas pessoas têm ordem de seus médicos para não exercitarem. É preciso qualificar a generalização. Deve-se dizer: o exercício é geralmente bom, ou é bom para a maioria das pessoas. Do contrário está-se cometendo um Dicto Simpliciter. Você compreende?

- Não – confessou ela. – Mas isso é interessante. Quero mais. Quero mais!

- Será melhor se você parar de puxar a manga da minha camisa – disse eu e, quando ela parou, continuei:

- Em seguida, abordaremos uma falácia chamada generalização apressada. Ouça com atenção: você não sabe falar francês, eu não sei falar francês, Petey Bellows não sabe falar francês. Devo portanto concluir que ninguém na universidade sabe falar francês.

- É mesmo? – espantou-se Polly. – Ninguém?

Contive a minha impaciência.

- É uma falácia, Polly. A generalização é feita apressadamente. Não há exemplos suficientes para justificar a conclusão.

- Você conhece outras falácias? – perguntou ela, animada. – Isto é até melhor do que dançar.

Esforcei-me por conter a onda de desespero que ameaçava me invadir. Não estava conseguindo nada com aquela moça, absolutamente nada. Mas não sou outra coisa senão persistente. Continuei.

- A seguir, vem o Post Hoc. Ouça: Não levemos Bill conosco ao piquenique. Toda vez que ele vai junto, começa a chover.

- Eu conheço uma pessoa exatamente assim – exclamou Polly. – Uma moça da minha cidade, Eula Becker. Nunca falha. Toda vez que ela vai junto a um piquenique…

- Polly – interrompi, com energia – é uma falácia. Não é Eula Becker que causa a chuva. Ela não tem nada a ver com a chuva. Você estará incorrendo em Post Hoc, se puser a culpa na Eula Becker.

- Nunca mais farei isso – prometeu ela, constrangida. – Você está bravo comigo?

- Não, Polly – suspirei. – Não estou bravo.

- Então conte outra falácia.

- Muito bem. Vamos experimentar as premissas contraditórias.

- Vamos – exclamou ela, alegremente.

Franzi a testa, mas continuei.

- Aí vai um exemplo de premissas contraditórias. Se Deus pode fazer tudo, pode fazer uma pedra tão pesada que ele mesmo não conseguirá levantar?

- É claro – respondeu ela imediatamente.

- Mas se ele pode fazer tudo, pode levantar a pedra.

- É mesmo – disse ela, pensativa. – Bem, então eu acho que ele não pode fazer a pedra.

- Mas ele pode fazer tudo – lembrei-lhe.

Ela coçou a cabeça linda e vazia.

- Estou confusa – admitiu.

- É claro que está. Quando as premissas de um argumento se contradizem, não pode haver argumento. Se existe uma força irresistível, não pode existir um objeto irremovível. Compreendeu?

- Conte outra dessas histórias interessantes – disse Polly, entusiasmada.

Consultei o relógio.

- Acho melhor parar por aqui. Levarei você em casa, e lá pensará no que aprendeu hoje. Teremos outra sessão amanhã.

Deixei-a no dormitório das moças, onde ela me assegurou que a noitada fora realmente interessante, e voltei desanimadamente para o meu quarto. Petey roncava sobre sua cama, com a jaqueta de couro encolhida a seus pés. Por alguns segundos, pensei em acordá-lo e dizer que ele podia ter Polly de volta. Era evidente que o meu projeto estava condenado ao fracasso. Ela tinha, simplesmente, uma cabeça à prova de Lógica.

Mas logo reconsiderei. Perdera uma noite, por que não perder outra? Quem sabe se em alguma parte daquela cratera de vulcão adormecido que era a mente de Polly, algumas brasas ainda estivessem vivas. Talvez, de alguma maneira, eu ainda conseguisse abaná-las até que flamejasse. As perspectivas não eram das mais animadoras, mas decidi tentar outra vez.

Sentado sob uma árvore, na noite seguinte, disse:

- Nossa primeira falácia desta noite se chama ad misericordiam.

Ela estremeceu de emoção.

- Ouça com atenção – comecei – Um homem vai pedir emprego. Quando o patrão pergunta quais as suas qualificações, o homem responde que tem uma mulher e dois filhos em casa, que a mulher é aleijada, as crianças não tem o que comer, não tem o que vestir nem o que calçar, a casa não tem camas, não há carvão no porão e o inverno se aproxima.

Uma lágrima desceu por cada uma das faces rosadas de Polly.

- Isso é horrível, horrível! – soluçou.

- É horrível – concordei – mas não é um argumento. O homem não respondeu à pergunta do patrão sobre as suas qualificações. Ao invés disso, tentou despertar a sua compaixão. Cometeu a falácia de ad misericordiam. Compreendeu?

Dei-lhe um lenço e fiz o possível para não gritar enquanto ela enxugava os olhos.

- A seguir – disse, controlando o tom da voz – discutiremos a falsa analogia. Eis um exemplo: deviam permitir aos estudantes consultar seus livros durante os exames. Afinal, os cirurgiões levam as radiografias para se guiarem durante uma operação, os advogados consultam seus papéis durante um julgamento, os construtores têm plantas que os orientam na construção de uma casa. Por quê, então, não deixar que os alunos recorram a seus livros durante uma prova?

- Pois olhe – disse ela, entusiasmada – esta é a ideia mais interessante que eu já ouvi há muito tempo.

- Polly – disse eu, com impaciência – o argumento é falacioso. Os cirurgiões, os advogados e os construtores não estão fazendo teste para ver o que aprenderam, e os estudantes, sim. As situações são completamente diferentes e não se pode fazer analogia entre elas.

- Continuo achando a ideia interessante – disse Polly.

- Santo Cristo! – murmurei, com impaciência. - A seguir, tentaremos a hipótese contrária ao fato.

- Essa parece ser boa – foi a reação de Polly.

- Preste atenção: se Madame Curie não deixasse, por acaso, uma chapa fotográfica numa gaveta junto com uma pitada de pechblenda, nós hoje não saberíamos da existência do rádio.

- É mesmo, é mesmo – concordou Polly, sacudindo a cabeça. – Você viu o filme? Eu fiquei louca pelo filme. Aquele Walter Pidgeon é tão bacana! Ele me faz vibrar.

- Se conseguir esquecer o Sr. Pidgeon por alguns minutos – disse eu, friamente – gostaria de lembrar que o que eu disse é uma falácia. Madame Curie teria descoberto o rádio de alguma outra maneira. Talvez outra pessoa o descobrisse. Muita coisa podia acontecer. Não se pode partir de uma hipótese que não é verdadeira e tirar dela qualquer conclusão defensável.

- Eles deviam colocar o Walter Pidgeon em mais filmes – disse Polly – Eu quase não vejo ele no cinema.

Mais uma tentativa, decidi. Mas só mais uma. Há um limite para o que podemos suportar.

- A próxima falácia é chamada de envenenar o poço.

- Que engraçadinho! – deliciou-se Polly.

- Dois homens vão começar um debate. O primeiro se levante e diz: ‘o meu oponente é um mentiroso conhecido. Não é possível acreditar numa só apalavra do que ele disser’. Agora, Polly, pense bem, o que está errado?

Vi-a enrugar a sua testa cremosa, concentrando-se. De repente, um brilho de inteligência – o primeiro que vira – surgiu nos seus olhos.

- Não é justo! – disse ela com indignação – Não é justo. O primeiro envenenou o poço antes que os outros pudesse beber dele. Atou as mãos do adversário antes da luta começar…

- Polly, estou orgulhoso de você.

- Ora – murmurou ela, ruborizando de prazer.

- Como vê, minha querida, não é tão difícil. Só requer concentração. É só pensar, examinar, avaliar. Venha, vamos repassar tudo o que aprendemos até agora.

- Vamos lá – disse ela, com um abano distraído da mão.

Animado pela descoberta de que Polly não era uma cretina total, comecei uma longa e paciente revisão de tudo o que dissera até ali. Sem parar citei exemplos, apontei falhas, martelei sem dar trégua. Era como cavar um túnel. A princípio, trabalho duro e escuridão. Não tinha ideia de quando veria a luz ou mesmo se a veria. Mas insisti. Dei duro, até que fui recompensado. Descobri uma fresta de luz. E a fresta foi se alargando até que o sol jorrou para dentro do túnel, clareando tudo.

Levara cinco noites de trabalho forçado, mas valera a pena. Eu transformara Polly em uma lógica, e a ensinara a pensar. Minha tarefa chegara a bom termo. Fizera dela uma mulher digna de mim. Está apta a ser minha esposa, uma anfitriã perfeita para as minhas muitas mansões. Uma mãe adequada para os meus filhos privilegiados.

Não se deve deduzir que eu não sentia amor por ela. Muito pelo contrário. Assim como Pigmaleão amara a mulher perfeita que moldara para si, eu amava a minha. Decidi comunicar-lhe os meus sentimentos no nosso encontro seguinte. Chegara a hora de mudar as nossas relações, de acadêmicas para românticas.

- Polly - disse eu, na próxima vez que nos sentamos sob a árvore – hoje não falaremos de falácias.

- Puxa! – disse ela, desapontada.

- Minha querida – prossegui, favorecendo-a com um sorriso – hoje é a sexta noite que estamos juntos. Nos demos esplendidamente bem. Não há dúvidas de que formamos um bom par.

- Generalização apressada – exclamou ela, alegremente.

- Perdão? – disse eu.

- Generalização apressada – repetiu ela. – Como é que você pode dizer que formamos um bom par baseado em apenas cinco encontros?

Dei uma risada, contente. Aquela criança adorável aprendera bem as suas lições.

- Minha querida – disse eu, dando um tapinha tolerante na sua mão – cinco encontros são o bastante. Afinal, não é preciso comer um bolo inteiro para saber se ele é bom ou não.

- Falsa Analogia – disse Polly prontamente – eu não sou um bolo, sou uma pessoa.

Dei outra risada, já não tão contente. A criança adorável talvez tivesse aprendido a sua lição bem demais. Resolvi mudar de tática. Obviamente, o indicado era uma declaração de amor simples, direta e convincente. Fiz uma pausa, enquanto o meu potente cérebro selecionava as palavras adequadas. Depois reiniciei.

- Polly, eu te amo. Você é tudo no mundo pra mim, é a lua e a estrelas e as constelações no firmamento. Por favor, minha querida, diga que será minha namorada, senão a minha vida não terá mais sentido. Enfraquecerei, recusarei comida, vagarei pelo mundo aos tropeções, um fantasma de olhos vazios.

Pronto, pensei; está liquidado o assunto.

- Ad misericordiam – disse Polly.

Cerrei os dentes. Eu não era Pigmaleão; era Frankenstein, e o meu monstro me tinha pela garganta. Lutei desesperadamente contra o pânico que ameaçava invadir-me. Era preciso manter a calma a qualquer preço.

- Bem, Polly – disse, forçando um sorriso – não há dúvida que você aprendeu bem as falácias.

- Aprendi mesmo – respondeu ela, inclinando a cabeça com vigor.

- E quem foi que ensinou a você, Polly?

- Foi você.

- Isso mesmo. E portanto você me deve alguma coisa, não é mesmo, minha querida? Se não fosse por mim, você nunca saberia o que é uma falácia.

- Hipótese Contrária ao Fato – disse ela sem pestanejar.

Enxuguei o suor do rosto.

- Polly – insisti, com voz rouca – você não deve levar tudo ao pé da letra. Estas coisas só têm valor acadêmico. Você sabe muito bem que o que aprendemos na escola nada tem a ver com a vida.

- Dicto Simpliciter – brincou ela, sacudindo o dedo na minha direção.

Foi o bastante. Levantei-me num salto, berrando como um touro.

- Você vai ou não vai me namorar?

- Não vou – respondeu ela.

- Por que não? – exigi.

- Porque hoje à tarde eu prometi a Petey Bellows que eu seria a namorada dele.

Quase caí para trás, fulminado por aquela infâmia. Depois de prometer, depois de fecharmos negócio, depois de apertar a minha mão!

- Aquele rato! – gritei, chutando a grama. – Você não pode sair com ele, Polly. É um mentiroso. Um traidor. Um rato.

- Envenenar o poço – disse Polly – E pare de gritar. Acho que gritar também deve ser uma falácia.

Com uma admirável demonstração de força de vontade, modulei a minha voz.

- Muito bem – disse – você é uma lógica. Vamos olhar as coisas logicamente. Como pode preferir Petey Bellows? Olhe para mim: um aluno brilhante, um intelectual formidável, um homem com futuro assegurado. E veja Petey: um maluco, um boa vida, um sujeito que nunca saberá se vai comer ou não no dia seguinte. Você pode me dar uma única razão lógica para namorar Petey Bellows?

- Posso sim – declarou Polly – Ele tem uma jaqueta de couro preto.

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Feliz desaniversário!

Hoje é um bom dia para trazer à tona a frase do Chapeleiro Maluco. Segundo o livro de Lewis Carroll, hoje, 4 de maio, seria aniversário da consagrada personagem. Sim, isso mesmo. 
Feliz desaniversário, Alice! 


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3.5.13

Hotel para Chocólatras

Matéria do G1 desta semana, foto irresistível. Novidade em Bournemouth, litoral sul da Inglaterra, o Chocolate Boutique Hotel é o sonho de consumo de todos os amantes do doce. O Hotel assegura que não falte chocolate aos hóspedes. Todos os dias eles recebem bombons, só para começar. O Hotel oferece degustações, sobremesas, drinks, verdadeiras oficinas que ensinam a preparar trufas, e por aí vai. São 13 quartos temáticos, todos nas cores creme e marrom, com decorações inspiradas pelo chocolate. Irresistível ou não? Para checar quartos, disponibilidade e preços, acesse o site: http://www.thechocolateboutiquehotel.co.uk/.



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1.5.13

Dia da Literatura Brasileira

O dia primeiro de maio não é só feriado do Dia do Trabalho. Hoje é aniversário de uma ilustre figura brasileira, José de Alencar. E por conta do seu aniversário e de sua importância para a história do Brasil, 1º de maio é também o Dia da Literatura Brasileira. É dia de ler Carlos Drummond, Lygia Fagundes Telles, Luís Fernando Veríssimo, Cecília Meireles, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Monteiro Lobato, Mário Quintana, e claro, José de Alencar. Sem esquecer Álvares de Azevedo, Fagundes Varela, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Olavo Bilac, Ferreira Gullar, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Mário de Andrade, Murilo Mendes, Vinícius de Moraes, João Cabral de Melo Neto, Nelson Rodrigues, Adélia Prado, Caio Fernando Abreu, Fernando Sabino, Hild Hilst, Lya Luft, Mário Prata, Millôr, Leminsk, Pedro Bandeira, Rubem Braga, Cora Coralina, e tantos outros. A língua portuguesa é maravilhosamente poética. O Brasil tem preciosidades que até os brasileiros desconhecem. Neste dia, aproveite, pesquise, conheça, devore.


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