31.10.11

In The Laps Of The Gods (Revisited)

Live at the Hammersmith Odeon - 1975 

 

 Live at Wembley Stadium - 1986 


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Ideias para uma vida mais feliz [49]

49. Adote Um Vira-lata

Dia desses meu irmão aprontou uma surpresa que mudou completamente a vida da família: trouxe para casa uma cadelinha de apenas 2 meses que ele encontrou abandonada. É curioso que a primeira pergunta de todas as visitas é sempre a mesma: "Qual é a raça?". Cheia de orgulho eu respondo: "É vira-lata". Minha satisfação tem vários motivos. Ao adotar um animalzinho carente, damos chance de uma vida melhor a mais um ser que estava condenado a passar os dias zanzando pelas ruas, sujeito a doenças, maus-tratos ou, pior, terminar sacrificado num dos superlotados centros de zoonoses das cidades. Além disso, por ,mais habitual que seja a ideia de comprar animais de estimação, não deixa de ser esquisito "comprar" um amigo em uma loja. Não são poucas as organizações não-governamentais de proteção dos animais que se opõem à produção em série de animais de estimação, mesmo que legalizada e com toda a documentação em ordem. Amigo que é amigo não precisa de pedigree. Mas vale buscá-los em lugares especializados em cuidar deles, como a Sociedade Protetora dos Animais (41/3256-8211), a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (21/2501-1529) ou a Arca Brasil (www.arcabrasil.org.br).
Mariana Del Grande



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É Halloween!

                             Os Estados Unidos são o país mais conhecido por comemorar o Halloween. Lá, esta data é muito mais representativa do que no Brasil, e se destaca do resto das festividades que acontecem no decorrer do ano. No entanto, apesar de o Halloween ter ficado conhecido como uma festa tradicional norte-america, não foi lá que ele teve origem, mas sim na sociedade Celta.
                             No Brasil, o Halloween é popularmente chamado de "Dia das Bruxas" e sua comemoração é recente.
Há quem defenda que o Halloween não tem nada a ver com a nossa cultura e que a data não deveria ser comemorada aqui. Para essas pessoas, o Brasil tem um folclore muito rico e isso deveria ser mais valorizado. Devido a essa reivindicação, em 2005 o governo brasileiro criou o Dia do Saci, também comemorado em 31 de outubro.
                             Nos Estados Unidos o Halloween é caracterizado por histórias assustadoras de fantasmas, fantasias elaboradas e brincadeiras bizarras. O Halloween também se destaca por causa de sua mistura única de elementos religiosos e seculares.



                             Primeiramente, de onde vem o nome Halloween? O nome é, na realidade, uma versão encurtada de "All Hallows' Even" (Noite de Todos os Santos), a véspera do Dia de Todos os Santos (All Hallows' Day). Os cristãos vêm homenageando seus mortos virtuosos desde os primeiros dias da religião. Por terem o dom da santidade, os santos estão próximos de Deus, e podem realizar milagres na terra. No século sétimo, o Papa Bonifácio IV estabeleceu oficialmente o Dia de Todos os Santos para assim homenagear todos os santos em um só dia. A história registra tal dia sagrado antes da época de Bonifácio, mas não era um dia amplamente guardado. Originalmente, os cristãos dedicavam o 13 de maio ao Dia de Todos os Santos. Porém, no século VIII, o Papa Gregório III o mudou para dia 1º de novembro, coincidindo com o Samhain.
                             A maioria das tradições do Halloween tem sua origem no Samhain (sou-em), o antigo Ano Novo Celta. Samhain, que significa "final do verão", ocorria no final de outubro, quando o clima começava a esfriar. Em suma, o Samhain era um rito referente a todas as coisas importantes que aconteciam durante essa mudança de estação. A coincidência do dia de comemoração ajudou a trazer para o cristianismo muitas das tradições do Samhain, que eram centradas no sobrenatural e no mundo dos espíritos, idéias que não têm muito sentido para o cristianismo.
                             Apesar de certo desconforto na igreja, muitas idéias sobrenaturais persistiram nas celebrações da véspera do Dia de Todos os Santos, tornando a ocasião uma combinação notável de crenças cristãs e pagãs.






                             Mas, para além de sua origem e toda a sua rede - extensa - de significados, o Halloween é uma data bastante comemorada ao redor do mundo. E por que gostamos de levar sustos e de nos vestir como figuras assustadoras?Todos esses prazeres parecem ser características humanas universais. Como seres humanos, temos total consciência de nossa própria mortalidade e da morte em geral. As culturas humanas são obcecadas pela morte porque não podemos entendê-la, e ainda assim ela aparece em tudo o que fazemos. É um dos mistérios mais assustadores com que nos deparamos na vida. Uma maneira de se sentir mais confortável com esse mundo desconhecido é torná-lo leve como um festival. Isto deixa todas as idéias assustadoras em aberto, onde podemos encará-las mais confortavelmente, nos divertindo com outras pessoas em vez de contemplar a mortalidade sozinhos.
                             Ao nos vestirmos com nossos medos, nós os temos mais perto, tomando um certo controle deles. Isto pode ser particularmente eficaz com crianças. Elas geralmente não têm medo da mortalidade tanto quanto de figuras sinistras como monstros e fantasmas. Uma vez que elas se vestem como um monstro e brincam com a personagem, eliminam um pouco do mistério do monstro, tornando-o menos ameaçador.
                             O Halloween parece ter uma função valiosa para muitas crianças e adultos. Ele continua tão popular porque preenche nossa necessidade básica de nos referirmos aos mistérios que nos amedrontam e até mesmo de celebrá-los.



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Nós somos SETE BILHÕES!

A partir de hoje, habitam o Planeta Terra sete bilhões de pessoas. A estimativa é de um estudo das Nações Unidas, o qual mostra que, em algum lugar da Índia, hoje, um parto será o marco desse ponto crítico da história do planeta. 

Tanto a data, quanto o país, são projeções feitas pela ONU, mas, ainda que haja alguma variação, fato é que terminaremos este ano de 2011 com um novo marco em termos demográficos, o qual nos levará a novos desafios sociais e ambientais. O estudo está no jornal Science, e ressalta, como fator desse marco, o aumento da expectativa de vida em países em desenvolvimento. O artigo traz como causas do fenômeno o aprimoramento de vacinas, a proliferação do uso de antibióticos e um relativo avanço no acesso à saúde pública. Combinando isso a uma elevada taxa de natalidade não se poderia ter outro resultado que uma explosão demográfica.

Nosso primeiro bilhão de habitantes foi registrado em 1800. E apenas 125 anos depois, chegamos aos dois bilhões. O assustador é que, nos últimos 50 anos, passamos de 3 para 7 bilhões, tendo o pico nos anos 70. A previsão para o futuro não é mais estimulante: até 2050, o planeta será habitado por 9 bilhões e 300 milhões de pessoas
, e 97% desse crescimento populacional estará concentrado nas regiões mais pobres.




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30.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [48]

48. Seja Gentil

A teoria do caos diz que o bater de asas de uma borboleta no seu jardim pode provocar um tornado no outro lado do mundo. A ideia é que um gesto sutil reverbera em outro, que reverbera em outro e assim por diante, até que algo grande aconteça. É nisso que se baseia o Movimento Mundial pela Gentileza (World Kindness Movement) - no potencial transformador das pequenas atitudes. Só que para o bem. O movimento nasceu no Japão, em 1996, num encontro entre vários países com o simpático propósito de deixar o mundo mais amável. Agora, o WKM chega ao Brasil pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (www.abqv.org.br). "É um movimento sem dono", diz Alberto Ogata, presidente da associação. Para participar não é preciso fazer cadastro nem pagar mensalidades - basta conhecer os princípios da organização (coisas tão simples quanto se lembrar do aniversário de um colega ou dar passagem no trânsito). Voluntários da WKM farão visitas a escolas e empresas brasileiras para estimular o cuidado com os outros no dia-a-dia. Qualquer instituição pública ou privada pode se candidatar, pelo site da associação (www.worldkindness.org.sg), a receber uma visita. Tornado, que nada. O bater de asas de uma borboleta pode gerar uma brisa deliciosa.
Leandro Quintanilha



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O Recital

                  Uma boa maneira de começar um conto é imaginar uma situação rigidamente formal — digamos, um recital de quarteto de cordas — e depois começar a desfiá-la, como um pulôver velho. Então vejamos. Um recital de quarteto de cordas.
                  O quarteto entra no palco sob educados aplausos da seleta platéia. São três homens e uma mulher. A mulher, que é jovem e bonita, toca viola. Veste um longo vestido preto. Os três homens estão de fraque. Tomam os seus lugares atrás das partituras. Da esquerda para a direita: um violino, outro violino, a viola e o violoncelo. Deixa ver se não esqueci nenhum detalhe. O violoncelista tem um grande bigode ruivo. Isto pode se revelar importante mais tarde, no conto. Ou não.
                  Os quatro afinam seus instrumentos. Depois, silêncio. Aquela expectativa nervosa que precede o início de qualquer concerto. As últimas tossidas da platéia. O primeiro violinista consulta seus pares com um olhar discreto. Estão todos prontos, o violinista coloca o instrumento sob o queixo e posiciona seu arco. Vai começar o recital. Nisso...
                  Nisso, o quê? Qual a coisa mais insólita que pode acontecer num recital de um quarteto de cordas? Passar uma manada de zebus pelo palco, por trás deles? Não. Uma manada de zebus passa, parte da platéia pula das suas poltronas e procura as saídas em pânico, outra parte fica paralisada e perplexa, mas depois tudo volta ao normal. O quarteto, que manteve-se firme em seu lugar até o último zebu — são profissionais e, mesmo, aquilo não pode estar acontecendo — começa a tocar. Nenhuma explicação é pedida ou oferecida. Segue o Mozart.
                  Não. É preciso instalar-se no acontecimento, como a semente da confusão, uma pequena incongruência. Algo que crie apenas um mal-estar, de início e chegue lentamente, em etapas sucessivas, ao caos. Um morcego que posa na cabeça do segundo violinista durante um pizzicato. Não. Melhor ainda. Entra no palco um homem carregando uma tuba.
                  Há um murmúrio na platéia. O que é aquilo? O homem entra, com sua tuba, dos bastidores. Posta-se ao lado do violoncelista. O primeiro violinista, retesado como um mergulhador que subitamente descobriu que não tem água na piscina, olha para a tuba entre fascinado e horrorizado. O que é aquilo? Depois de alguns instantes em que a tensão no ar é como a corda de um violino esticada ao máximo, o primeiro violinista fala:
                  — Por favor...
                  — O quê? — diz o homem da tuba, já na defensiva. — Vai dizer que eu não posso ficar aqui?
                  — O que o senhor quer?
                  — Quero tocar, ora. Podem começar que eu acompanho.
                  Alguns risos na platéia. Ruídos de impaciência. Ninguém nota que o violoncelista olhou para trás e quando deu com o tocador de tuba virou o rosto em seguida, como se quisesse se esconder. O primeiro violinista continua:
                  — Retire-se, por favor.
                  — Por quê? Quero tocar também.
                  O primeiro violinista olha nervosamente para a platéia. Nunca em toda a sua carreira como líder do quarteto teve que enfrentar algo parecido. Uma vez um mosquito entrou na sua narina durante uma passagem de Vivaldi. Mas nunca uma tuba.
                  — Por favor. Isto é um recital para quarteto de cordas. Vamos tocar Mozart. Não tem nenhuma parte para a tuba.
                  — Eu improviso alguma coisa. Vocês começam e eu faço o um-pá-pá.
                  Mais risos na platéia. Expressões de escândalo. De onde surgiu aquele homem com uma tuba? Ele nem está de fraque. Segundo algumas versões veste uma camisa do Vasco. Usa chinelos de dedo. A violista sente-se mal. O violinista ameaça chamar alguém dos bastidores para retirar o tocador de tuba a força. Mas ele aproxima o bocal do seu instrumento dos lábios e ameaça:
                  — Se alguém se aproximar de mim eu toco pof!
                  A perspectiva de se ouvir um pof naquele recinto paralisa a todos.
                  — Está bem — diz o primeiro violinista. — Vamos conversar. Você, obviamente, entrou no lugar errado. Isto é um recital de cordas. Estamos nos preparando para tocar Mozart. Mozart não tem um-pá-pá.
                  — Mozart não sabe o que está perdendo — diz o tocador de tuba, rindo para a platéia e tentando conquistar a sua simpatia.
                  Não consegue. O ambiente é hostil. O tocador de tuba muda de tom. Torna-se ameaçador:
                  — Está bem, seus elitistas. Acabou. Onde é que vocês pensam que estão, no século XVIII? Já houve 17 revoluções populares depois de Mozart. Vou confiscar estas partituras em nome do povo. Vocês todos serão interrogados. Um a um, pá-pá.
                  Torna-se suplicante:
                  — Por favor, só o que eu quero é tocar um pouco também. Eu sou humilde. Não pude estudar instrumento de cordas. Eu mesmo fiz esta tuba, de um Volkswagen velho. Deixa...
                  Num tom sedutor, para a violista:
                  — Eu represento os seus sonhos secretos. Sou um produto da sua imaginação lúbrica, confessa. Durante o Mozart, neste quarteto anti-séptico, é em mim que você pensa. Na minha barriga e na minha tuba fálica. Você quer ser violada por mim num alegro assai, confessa...
                  Finalmente, desafiador, para o violoncelista:
                  — Esse bigode ruivo. Estou reconhecendo. É o mesmo bigode que eu usava em 1968. Devolve!
                  O tocador de tuba e o violoncelista atracam-se. Os outros membros do quarteto entram na briga. A platéia agora grita e pula. É o caos! Simbolizando, talvez, a falência final de todo o sistema de valores que teve início com o iluminismo europeu ou o triunfo do instinto sobre a razão ou ainda, uma pane mental do autor. Sobre o palco, um dos resultados da briga é que agora quem está com o bigode ruivo é a violista. Vendo-a assim, o tocador de tuba pára de morder a perna do segundo violinista, abre os braços e grita: "Mamãe!"
                  Nisso, entra no palco uma manada de zebus.

Luís Fernando Veríssimo

Crônica extraída do livro "O Analista de Bagé", L & PM Editores Ltda - Porto Alegre, 1981, pág. 58.

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29.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [47]

47. Fique Descalço 

Olhe para seus pés. Eles estão calçados? Azar o seu. Saiba que dentro desse sapato se esconde uma das estruturas mais complexas do corpo, formada por 26 ossos e 27 articulações. Fale a verdade: não é um crime você manter essa máquina perfeita enfurnada dentro de um calçado? E se eu lhe contar que andar descalço traz benefícios para sua saúde e seu estado de espírito? Caminhar, por si só, já é um exercício e tanto: quando andamos, movemos 650 músculos e carca de 80% dos 208 ossos do esqueleto. O esforço que fazemos a cada passo trabalha as articulações, prevenindo a osteoporose, e os músculos, melhorando o bombeamento do sangue para o coração. Dependendo da superfície em que pisamos, os benefícios de uma simples caminhada mudam. Superfícies irregulares, por exemplo, massageiam diferentes pontos do pé e estimulam variadas partes do corpo. Na medicina chinesa, acredita-se que os seres vivos recebem energia da terra absorvida pelos pés. Conheça mais sobre o assunto no site da Sociedade Brasileira de Medicina do Pé, www.sbmcp.org.br
Danielle Nogueira



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It's Too Late

Jhonny Rivers

I remember when I told you
I would try in every way
To hold you, and love you

And kiss you and keep you
Till my dying day


You just laughed
Said you found somebody new
Someone to make me
Forget about you


And now you tell me
That your new love
Isn´t true
Like he should be
You say you´re gonna forget him
And you´re gonna come back to me



But things have changed
I got me somebody new
Someone to make me
Forget about you

I´m telling you

That it´s too late
To say you´re sorry
It´s too late
To say you´re mine

I have found myself a new love
And I´m gonna make her mine

It´s too late
It´s too late

Many days I tried to call you
Many nights I sat alone

Everyone knew that I loved you
But you had a love of your own


And now that he´s gone
You think you can come back to me
I´m not the same fool
That I used to be

And you´re gonna see

That it´s too late
To say you´re sorry
It´s too late
To say you´re mine
I have found myself a new love
And I´m gonna make her mine

It´s too late
It´s too late
To say you´re mine...






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28.10.11

Cigano

Djavan

Te querer
Viver mais pra ser exato
Te seguir
E poder chegar
Onde tudo é só meu
Te encontrar
Dar a cara pro teu beijo
Correr atrás de ti
Feito cigano, cigano, cigano
Me jogar sem medir

Viajar
Entre pernas e delícias
Conhecer, para notícias dar
Devassar sua vida
Resistir
Ao que pode o pensamento
Saber chegar no seu melhor
Momento
, momento, momento
Pra ficar e ficar

Juntos, dentro, horas
Tudo, ali, às claras
Deixar crescer
Até romper
A manhã
Como o mar está sereno
Olha lá
As gaivotas
Vão deixar suas ilhas
Veja o sol
É demais essa cidade!
A gente vai ter
Um dia de calor...


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Ideias para uma vida mais feliz [46]

46. Tire a Roupa 

Naturismo, nudismo, peladismo. O nome varia, mas a sensação é a mesma: ficar sem roupa, à vontade, uma experiência tão forte que cativa muita gente ao redor do planeta. Na Alemanha, onde a prática nasceu como uma terapia da saúde, a helioterapia – banhos de sol com o corpo nu para combater várias doenças -, são mais de 2 milhões de praticantes. No Brasil há 250 mil adeptos cadastrados. Para a psicanalista Terezinha Mendonça, doutora em ciências sociais e presidente do Instituto de Estudos da Complexidade, trata-se de uma prática com sentido político. “Os naturistas almejam romper com certos padrões de conduta, recuperando um modo mais espontâneo da nossa capacidade gestual e expressiva. Buscam libertar-se do ônus imposto pelo culto do corpo perfeito”, ela diz. Mas para Pedro Ribeiro, presidente da Associação Naturista da Praia do Abricó, Rio das Ostras (RJ), o conforto também importa. “A sensação do naturista é de grande bem-estar. É um alívio não ter roupas apertando qualquer parte do corpo.” Outras praias de nudismo bastante procuradas pelos adeptos: Pinho, Balneário Comboriú (SC); Massarandupió, Entre Rios (BA); Olho de Boi, Búzios (RJ) e Brava, Caraguatatuba (SP). 
Léa Maria Aarão Reis



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27.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [45]

45. Desfrute as bibliotecas

Fazer pesquisa ficou muito mais fácil hoje em dia. Você pode acessar sites de busca na internet ou utilizá-la para comprar livros que chegam à porta de casa. Além disso, as livrarias cresceram e algumas são quase centros de lazer. Mas e as bibliotecas públicas? Será que elas perderam sua utilidade para gente como eu? Para descobrir isso, fui até uma das maiores bibliotecas de São Paulo com um nome na cabeça: Júlio Cortázar, um grande escritor argentino, um de meus favoritos. E, pelo que pude perceber, de mais gente também, já que alguns de seus livros não estão disponíveis. Mas tudo bem, o que me chamou a atenção não foram as edições originais que encontrei, mas sim, as pessoas, que no meio de todos aqueles livros ficam especialmente encantadas. Circulam com seus papéis de consulta rascunhados, livros debaixo do braço, romances, exercícios, poesias. E olhando para elas é inevitável começar a imaginar quem é cada uma, como aqueles livros serão lidos, pelo que cada uma se interessa. Peço licença para poder alcançar duas ou três edições colocadas mais no alto, vou cruzando os grandes corredores deixando que os livros em minha mão conversem com as prateleiras lotadas, e assim Cortázar encontra Calvino, Machado e Eça de Queiroz. São mais de 300 mil obras catalogadas, organizadas, e com a incomparável magia dos livros já lidos. Não levei nenhum para casa, mas tenho de voltar lá logo, só que dessa vez com outro nome na cabeça. 
Hugo Timm



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26.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [44]

44. Escale Uma Árvore 

Se você já morou no interior ou teve a sorte de ter algumas delas à disposição, sabe como é natural – especialmente na infância – subir em árvores. Seja para colher frutas ou disputar o galho mais alto com os amigos. “Quando criança, subir em árvores ajuda no desenvolvimento neurológico e na coordenação motora”, diz Carmen Silva Zietemann, professora de educação infantil da escola antroposófica Waldorf Rudolf Steiner, de São Paulo, na qual os alunos brincam diariamente no jardim. O contato com árvores também funciona para estreitar os laços com a natureza. E não é preciso ser criança para escalar as árvores, segundo a professora de yoga Margareth Gomes. “Para o yoga, a árvore representa segurança, firmeza. Subir em árvore, então, é se desafiar em busca de crescimento interior, sabendo que para chegar ao alto é preciso ter raízes fortes. E não há idade para isso”. 
Giuliana Capello



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Tallinn

                No Golfo da Finlândia, entre o frio e os ventos, castelos emprestam seu toque misterioso à pequena capital da Estônia, Tallinn. Ruas irregulares - reconstruídas ao longo dos tempos -, o frio, a umidade, a falta de sol, é este o cenário que encontramos por lá, a cidade que ainda hoje, poderia ser facilmente confundida com algum vilarejo esquecido há anos.
                Os séculos de pilhagens e bombardeamentos por todo o tipo de povos ainda estão, espantosamente, gravados no passado histórico da cidade, em quilômetro de ruelas sinuosas com casas medievais, uma muralha de dois quilômetros e meio com 26 torres defensivas, igrejas seculares, o magnífico castelo de Toompea, dos séculos XIII e XIV, e ainda bairros com casas tradicionais de madeira, como os de Kalamaja e Lillekula.





                             Atualmente, as ruas e hábitos da capital estoniana estão tomados por telefones celulares, internet e multibancos, símbolos da modernidade e independência, que foi por tanto tempo adiada. Todas as maravilhas da mais moderna tecnologia e informática já chegaram aqui e o investimento finlandês deu fôlego à economia emergente. O inglês parece já ser a segunda língua e o turismo vai de vento em popa. “A cold country with a warm heart” (Um país frio com coração quente), reza a publicidade turística do país. E sobretudo não há quem não fique seduzido pela linha descontínua das muralhas semeada de torreões austeros com telhados cônicos.



 


                             Todas as ruas de Tallinn parecem convergir para Raekoja Plats, a Praça do Município, com as suas casas góticas de cores outonais em contraste com a pedra do chão e das muralhas. Mas seguindo certas ruelas estreitas e calmas - a menos que seja fim-de-semana de festa - e depois a longa Pikk jalg, de um asseio irrepreensível, chegamos ao cimo da colina de Toompea, que tem a melhor vista panorâmica sobre a cidade antiga. De lá avistamos as torres aguçadas que parecem perfurar as nuvens baixas, e teremos direito a mais uma chuva gelada antes do sol nascer novamente. E ao fundo, sempre a tira lisa e fina de azul das águas do Golfo.






                            Romântica e viva, Tallinn espelha ao mesmo tempo o passado e o futuro. A paisagem ainda é de um filme Hollywoodiano do século XIII, mas é a combinação perfeita entre a história e a contemporaneidade.




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25.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [43]

43. Espreguice Com Calma 

Cuidado ao despertar. O modo como você acorda afeta o dia todo. Começa com o estímulo escolhido para acordar. Em vez do despertador, melhor deixar a luz do sol invadir o quarto. “Acordar assustado mexe com a energia do fígado e promove ira”, diz o médico João Curvo, autor de A Arte de Se Cuidar (Editora Rocco). Ficar na cama até o último minuto e depois fazer tudo às pressas é outro erro comum, que eleva a pressão arterial logo de manhã. Em vez disso, dê um tempinho para uma atividade gostosa, saudável e grátis: espreguiçar. Que é gostosa, nem preciso dizer. É só olhar esta foto para dar vontade de se esticar e bocejar. Pois saiba que espreguiçar é importante para acordar e lubrificar as articulações, alongar os músculos e liberar as tensões da noite. Não só. Aumenta a flexibilidade e diminui a incidência de várias dores, das musculares às do nervo ciático. E ainda melhora a circulação sanguínea e desintoxica as células. Para fazer bem feito, siga o conselho da shiatsuterapeuta Márcia Moulin: não esqueça as extremidades. “Encoste o queixo no peito e estique os pés como os bailarinos”. 
Fernanda Dannemann



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24.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [42]

42. Envie Cartas 

Uma carta escrita a mão transmite mais que palavras. Tudo bem, o e-mail é prático e rápido e aproxima gente que, sem ele, perderia contato para sempre. Mas há coisas que uma mensagem eletrônica não consegue transmitir. Que tal, então, mandar uma carta? Começa que se pode escrevê-la em qualquer lugar – debaixo de uma árvore, na praia, deitado na cama, o que já é uma inspiração e tanto. Além disso, uma carta contém mais que papel e cola. Ela tem texturas, cheiros e uma marca pessoal: a caligrafia. Segundo o psicólogo Edilson Fernandes, coordenador do Centro de Estudos Grafológicos de São Paulo (www.grafologia-sp.com.br), “a caligrafia é marcada pela personalidade do autor e expressa melhor a afetividade”. Não se pode esquecer também que cartas viajam no tempo e no espaço, passam por muitas mãos e lugares diferentes até chegarem ao seu destino. “Há um ritual por trás disso tudo: escrever, colocar no correio e aguardar a chegada e o retorno”, diz a historiadora Maria Teresa Cunha. Neste mundo em que tudo parece imediato, cultivar a velha paciência pode ser um prazer. 
Ana Maria Peres



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23.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [41]

41. Descubra os Animais

Observar bichos em seu ambiente natural é uma arte que se desenvolve com a prática. No meu caso, prefiro os golfinhos. Não há coisa que me alegre mais que enfrentar as ondas em um mar de almirante, horizonte claro, visibilidade boa, todos a bordo concentrados na linha da água, procurando sinais de vida. E de repente, sem aviso, lá estão eles, nadando à volta do barco, fazendo acrobacias, seguindo e protegendo seus filhotes. Acompanhar seus movimento entrando e saindo da água, sua respiração a cada três minutos, seus saltos sincronizados é como meditar, em exercício pleno de atenção que me absorve. Mas repentinamente, como vieram, eles se vão. E sou obrigada a exercitar também o desapego, aceitar que o encontro acabou. Do contato, além de foto, fica a sensação de ter vivido um momento único, de ter compartilhado um instante com esses animais magníficos, que deixaram a vida terrestre há 65 milhões de anos. Assim como os golfinhos, estivemos presentes a cada instante, em cada mergulho, cada salto, cada respiração.
Fabiana Mourão



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O Que Eu Pediria Ao Diabo

Luís Fernando Veríssimo

A lenda de Fausto e do seu pacto com o Diabo foi usada por escritores como Goethe e Thomas Mann, e pode ser interpretada de várias maneiras. Fausto simbolizaria a ambição humana pelo poder em confronto com Deus e o destino, ou o espírito humano disposto a desafiar a natureza e a danação eterna pelo conhecimento. De qualquer jeito, é o mito inaugural do homem moderno, o que sacrificou sua alma para ter a Ciência. E é revivido cada vez que alguém precisa decidir, mesmo metaforicamente, se aceita ou não negociar a alma com o Diabo. Ou que alguém apenas imagine como agiria na mesma situação.
Eu, por exemplo, já pensei muito no que pediria ao Diabo em troca da minha alma. Já que não quero nem poder, nem glória, nem, na minha idade, loiras ilimitadas. O que seria? Não, não pediria Sabedoria, nem domínio sobre o Tempo e o Espaço. Pediria, para começar, que a minha mala fosse sempre a primeira a aparecer na esteira, no aeroporto.
— O quê?! — diria o Diabo.
— Quero que a minha mala seja sempre...
— Eu ouvi. Só não acreditei. Você tem certeza que é isso mesmo que quer? Em troca da sua alma?
— Para começar.
— Pense no que está fazendo! É a sua alma, a sua eternidade, que você está me entregando. E em troca quer essa... Essa mesquinharia?!
— Mesquinharia? Pra você. Minha mala nunca — nunca! — é a primeira a aparecer na esteira. Isso é uma aberração estatística. Pelo menos uma vez ela poderia ter aparecido, mas nunca aconteceu. Quero ter a felicidade de ver a minha mala aparecer na esteira do aeroporto na frente das outras. E não uma vez. Todas as vezes!
— Você não quer conhecer os segredos da Matéria e do Universo? Você não quer todos os poderes do mundo?
— Quero um poder só.
— Qual?
— O de poder abrir celofane de CD com a unha.
— Como é?
— Quero o poder de arrancar o celofane que envolve os CDs usando só a unha, sem precisar recorrer a tesourinhas, facas ou dentes, rapidamente e na primeira tentativa.
— Está bem — suspira o Diabo. — O que mais?
— Preciso pensar um pouco. O que mais? Ah, sim. Cartilagem de galinha.
O Diabo não consegue mais nem falar. Me manda prosseguir com um gesto desanimado.
Não quero mais ter a surpresa de morder uma cartilagem de galinha, frango ou galeto. Nunca mais. Pelo resto da vida.
O Diabo parece estar a ponto de desistir, de mim e da minha alma. Ele deveria ter previsto isto, quando eu o convenci a aceitar minha assinatura no contrato com Bic vermelha em vez de sangue. Mas o contrato está assinado e tem que ser honrado.
— Que mais? — pergunta o Diabo, de olhos fechados.
Vaga em estacionamento de shopping. Sem precisar rodar muito. Para sempre.
— Tá bom. Que mais?
— É isso.
O Diabo abre os olhos. Tenta, pela última vez, dar um significado maior ao nosso encontro, ou um valor maior à sua compra.
— Tem certeza? Você não quer que eu lhe revele a Razão e o Objetivo da Existência?
— Tá doido.
Não quer nada mais em troca da sua alma? Nenhum outro saber que a maioria dos mortais não tem?
— Nenhum.
Mas aí me ocorre outro.
— Ah, sim. Quero saber acertar o timer do videocassete!
E então o Diabo desiste.
Concluindo: não há mais Faustos como antigamente.

Texto extraído do livro O Melhor das Comédias da Vida Privada.

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Jason Hawkes

                      Especializado em fotografias aéreas desde 1991, o renomado fotógrafo Jason Hawkes já passou milhares de horas sobrevoando locais por toda a Grã-Bretanha e registrando belas paisagens e novas perspectivas de cidades.
                      Com mais de 40 livros publicados, Hawkes ainda se espanta com a beleza natural da Grã-Bretanha, com seus campos verdes e praias desertas, mas o fotógrafo também já fez fotografias a partir de helicópteros em várias partes do mundo, como Noruega, Colômbia, Marrocos e Estados Unidos.

Mais informações sobre seu trabalho em www.jasonhawkes.com











Fonte: bbc.co.uk

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22.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [40]

40. Desligue Seu Celular

O telefone celular chegou ao mercado brasileiro há dez anos e parece que veio para ficar. A praticidade e a economia de tempo que ele proporciona já leva muita gente a pensar que não conseguiria viver sem o aparelhinho.  A adesão é tão grande (só no Brasil há mais de 30 milhões de usuários) que anda necessário lembrar que, sim, há vida inteligente longe do portátil. É o que faz o movimento mais os menos organizado dos sem-celular, que conta em suas fileiras com gente como o escritor Umberto Eco - que abordou o tema no artigo Como Não Usar o Telefone Celular, no livro O Segundo Diário Mínimo. Segundo Eco, à exceção de doentes, médicos e adúlteros, ninguém precisa, de fato, de celular. Para os sem-celular, abandonar o aparelho tem muitas vantagens, como manter a privacidade, preservar os saudáveis momentos de solidão e favorecer encontros espontâneos. Mas é possível chegar a um meio-termo nessa história. "A exemplo de outras tecnologias, é uma questão de saber usar. O celular pode nos aproximar dos outros, como também pode controlar nossos passos", diz o filósofo Rogério da Costa, coordenador do Laboratório de Inteligência Coletiva da pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ou seja, não é preciso abandonar o aparelhinho para experimentar a liberdade de que fala Eco. Mas desligar-se dele de vez em quando pode ser bastante saudável.
Ana Paula Orlandi



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21.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [39]

39. Guarde Sua História

Dia desses, entrei num escritório todo moderno e eis que, em meio a móveis brancos com tampos de vidro, desajeitado no fundo de uma estante, surge um cofre de plástico metade em forma de pato, metade parecendo uma laranja. Não entendi o que aquele brinquedo anos 80 fazia ali e, sem resistir à curiosidade, perguntei. Me responderam que era como um amuleto, um presente dos pais que trazia sorte. Na hora me lembrei da  colcha de retalhos que minha avó fez para mim quando eu era criança, lá em Minas Gerais. Virou quase um trapo, mas veio em minha primeira mala de mudança para São Paulo. Aposto que você também tem em casa algo antigo de muito valor pessoal. Que seja uma casa do Tricolor, uma poltrona velha ou um livro que leu há anos, não importa. E não se importe da nostalgia. Saiba que isso é bom. Ter por perto objetos que trazem boas lembranças nos ajuda a manter estreitos os laços com nossa própria história.
Priscilla Santos



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20.10.11

Paradise

Coldplay - Taken from the new album Mylo Xyloto.



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Ideias para uma vida mais feliz [38]

38. Conviva Com os Vizinhos

Muito se ouve falar da política da boa vizinhança, mas nem sempre a seguimos. Eu mesma confesso que demorei uma semana para agradecer à vizinha do 103 por me emprestar um colchão quando recebi visita. Que feio. Nem parece que fui criada para ser uma boa cidadã. Na infância, vivi num condomínio que era uma grande família. Se alguém estivesse cozinhando e percebesse a falta de farinha, era só bater na porta da frente. Tudo se emprestava: xícaras de açúcar, escadas para trocar lâmpadas. Apesar de meu atraso, decidi retribuir à vizinha do 103. Lembrei da história de um conhecido cujo vizinho reclamou do som alto e recebeu um pedido de desculpas acompanhado de uma cesta de café da manhã. Gostou tanto que mandou um CD de volta. Pensei: passo fazer algo parecido - e comprei um vaso de margaridas para ela, que o recebeu com um "você é muito gentil". Nada como a troca de gentilezas para tornar o prédio uma verdadeira casa.
Priscilla Santos



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E se um asteróide...

                                E se um asteróide fosse se chocar com a Terra, e não houvesse nada a fazer para evitar o nosso fim? Como nos comportaríamos?
                                Nos convenceríamos, finalmente, de que somos uma única espécie frágil num planeta precário e viveríamos nossos últimos anos em fraternidade e paz, ou reverteríamos ao nosso cerne básico e calhorda, agora sem qualquer disfarce? Nos tribalizaríamos ainda mais ou descobriríamos nossa humanidade comum, e como eram ridículas as nossas diferenças? Jogaríamos nosso dinheiro fora ou cataríamos o dinheiro que os outros jogassem fora, pensando na remota possibilidade de comprar um lugar no último foguete americano a deixar a Terra antes do impacto? Perderíamos todo o interesse nos prazeres da carne e trataríamos de salvar nossa alma ou, pelo contrário, nos entregaríamos à lascívia, ao deboche e à gula, ultrapassando, às gargalhadas, todos os nossos limites orçamentários?
                                Como os cientistas nos diriam até o segundo exato do choque com o asteróide com alguns meses de antecedência, seríamos a primeira geração sobre a Terra a viver com a certeza universal e pré-medida do seu fim - e a última, claro. Muitas seitas através da história e até hoje estabeleceram a hora e o modo de o mundo acabar e se preparam para o evento. Nós seríamos os primeiros com evidências científicas do fim, em vez de crença. Pois só a desmoralização total da ciência, só chamar o sistema métrico de ocultismo e termodinâmica de feitiçaria, nos daria a esperança de que os cálculos estivessem errados e o asteróide, afinal, passaria longe.
                                Se existissem foguetes salvadores e bases na Lua e em Marte esperando os sobreviventes, estaríamos diantes de outra situação "Titanic". Quem vai nos foguetes? (Nada de mulheres e crianças - intelectuais primeiro!) Tem que ser americano? Quanto custaria uma terceira classe? Aceitam cartão?
                                Nós finalmente nos conheceríamos - e seria tarde.


Texto extraído do livro O Melhor das Comédias da Vida Privada.


Luís Fernando Veríssimo

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19.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [37]

37. Alfabetize Um Aluno

De todos os meus professores, a mais querida sempre foi a tia Inês, que me ensinou a ler quando eu tinha 7 anos. Começamos com "rei", "rio" e "rua". Aposto que você também se lembra de quem abriu seus olhos para os cadernos. Mas, no Brasil, 16 milhões de adolescentes e adultos não tem lembrança parecida. Não foram à escola e precisam de ajuda para pegar um ônibus. A estudante carioca Natália Dultram, de 22 anos, decidiu ajudar ela mesma e virou professora. Já ensinou o bê-a-bá e dois-mais-dois a três funcionários do condomínio onde vive. Ganhou tanto quanto os alunos. "É muito gratificante ver o outro progredir, sua felicidade por se sentir mais capaz." Os alunos aprovam. "No começo, eu ficava meio zonzo, minha cabeça estava fechada. Agora leio o jornal todos os dias e adoro fazer contas de dividir. A vida ficou sensacional", diz o porteiro Anselmo de Souza Silva Filho, que descobriu a matemática aos 57 anos. Para quem não tem o dom de ensinar, ou tempo para isso, há o cominho das doações. A Alfabetização Solidária, ONG premiada pela Unesco, alfabetizou 5 milhões de brasileiros em oito anos (www;alfabetizacaosolidaria.org.br). Custa 21 reais por aluno, durante oito meses. E pronto, mais um brasileiro ganha vida nova.
Fernanda Dannemann



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18.10.11

Exigências da Vida Moderna

Luís Fernando Veríssimo

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia...
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal... Tchau!

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How Deep Is Your Love?

Bee Gees

I know your eyes in the morning sun
I feel you touch me in the pouring rain
And the moment that you wander far from me,
I wanna feel you in my arms again

And you come to me on a summer breeze,
Keep me warm in your love then you softly leave
And it's me you need to show how deep is your love

Is your love, how deep is your love?
I really mean to learn
Cause we're living in a world of fools,
Breaking us down
When they all should let us be,
We belong to you and me

I believe in you, you know the door to my very soul
You're the light in my deepest darkest hour
You're my saviour when I fall
And you may not think I care for you,
When you know down inside that I really do

And it's me you need to show how deep is your love

Is your love, how deep is your love?
I really mean to learn
Cause we're living in a world of fools,
Breaking us down
When they all should let us be,
We belong to you and me

And you come to me on a summer breeze,
Keep me warm in your love and then you softly leave
And it's me you need to show how deep is your love?

Is your love, how deep is your love?
I really mean to learn
Cause we're living in a world of fools,
Breaking us down
When they all should let us be,
We belong to you and me...


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Ideias para uma vida mais feliz [36]

36. Abrace Mais

O abraço faz bem para o coração. Embalar alguém com nossos braços – ser envolvido de volta – dá um bem-estar danado. “O abraço transmite uma sensação de proteção e de acolhimento”, explica o psicólogo Miguel Perosa, professor da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo. Intuitivamente, o abraço nos remete ao período em que éramos enlaçados com todo cuidado quando bebês. Além disso, esse ato carinhoso tem alguns “bônus” em relação ao beijo e ao cafuné: “Dentre os gestos de carinho, a área tocada pelo abraço é a maior. Além disso, diferentemente do cafuné, o abraço é sempre recíproco, não unilateral”, diz Miguel. O abraço faz mesmo muito bem para o coração. E não é só no sentido figurado. Cientistas descobriram que o ato de abraçar ajuda na saúde do principal músculo do corpo, aquele que bate no lado esquerdo do peito. Uma pesquisa da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, traduziu tudo em números. O estudo reuniu 38 casais e mostrou que o abraço eleva os níveis de um hormônio chamado oxitocina, que reduz a pressão sanguínea e o batimento cardíaco. O resultado dessas mudanças todas no corpo é uma diminuição do risco de doenças do coração. Em tempos de “tapinhas nas costas”, esses são bons motivos para você abraçar essa causa. 
Marina Motomura



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17.10.11

Comunicação

Luís Fernando Veríssimo

É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?
- Posso ajudá-lo, cavalheiro?
- Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...
- Pois não?
- Um... como é mesmo o nome?- Sim?
- Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima.
- Sim senhor.
- O senhor vai dar risada quando souber.
- Sim senhor.
- Olha, é pontuda, certo?
- O quê, cavalheiro?
- Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?
- Infelizmente, cavalheiro...
- Ora, você sabe do que eu estou falando.
- Estou me esforçando, mas...
- Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?
- Se o senhor diz, cavalheiro.
- Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.
- Sim senhor. Pontudo numa ponta.
- Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?
- Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?
- Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em desenho.
- Sinto muito.
- Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil mental, como você está pensando.
- Eu não estou pensando nada, cavalheiro.
- Chame o gerente.
- Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é feito do quê?
- É de, sei lá. De metal.
- Muito bem. De metal. Ela se move?
- Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim.
- Tem mais de uma peça? Já vem montado?
- É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.
- Francamente...
- Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa.
- Ah, tem clique. É elétrico.
- Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.
- Já sei!
- Ótimo!
- O senhor quer uma antena externa de televisão.
- Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...
- Tentemos por outro lado. Para o que serve?
- Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa.
- Certo. Esse instrumentos que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete de segurança e...
- Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!
- Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!
- É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?

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Ideias para uma vida mais feliz [35]

35. Medite Andando


A viagem pela estrada dura pouco: o destino é o entorno da cidade de São Paulo. O grupo é heterogêneo: tem comerciante, educador, jornalista, criança, idoso. O objetivo é comum: embarcar em mais uma caminhada filosófica para descobrir áreas naturais preservadas e se perceber na natureza. “A caminhada filosófica é trabalho de formiguinha, quer ser transformadora na relação do homem com o meio ambiente e resgatar o sentimento de unidade”, conta Rita Mendonça, educadora ambiental que criou o programa, organizado pela Associação Palas Athena (11/3266-6188, www.palasathena.org). Percorrer a praia ao lado da mata é pura sensibilização, com atividades orientadas que seguem a lógica de que é preciso transformar o sentimento (origem do pensamento) para promover uma renovação profunda. Com ensinamentos de Aristóteles na cabeça, vamos andando – e o movimento nos coloca em contato com a pulsação da vida. Hora de apurar os sentidos. De olhos fechados, vamos identificar os sons: sabiá, riacho, vento, mosquito, mar. O coração se abre. Na trilha das surpresas, encontramos objetos manufaturados, estrategicamente colocados no meio do caminho. Rita diz: “Reparem, têm menos vitalidade que uma folha seca”. Diante de uma frondosa paineira, uma entrevista silenciosa para imaginar sua idade, suas alegrias, seus testemunhos. A árvore não era mais um objeto. 
Tatiana Achcar



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Smooth!

And if you say this life ain't good enough
I would give my world to lift you up
I could change my life to better suit your mood
Cause you're so smooth...

Carlos Santana (feat. Rob Thomas)


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16.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [34]

34. Anote Suas Emoções

Escrever é um certo desabrochar, dizia a escritora Clarice Lispector. Normalmente, o ato de escrever é ligado a um talento nato. Mas também pode ser um prazer pessoal e até uma forma e desabafar. "Sinto que certas coisas precisam ser registradas, pode ser uma frase que ouvi, uma cena que assisti", diz Luís Fernando Alves, assistente administrativo que faz da escrita seu momento de reflexão. "Costumo colocar no papel o que me causa tristeza e também o que me faz bem e me ajuda a sair daquele estado de espírito". Escrever acaba sendo um mergulho dentro de si, um exercício em que podemos descobrir mais sobre nós mesmos. É o que pensa o professor da Escola de Comunicações e Artes da USP Edvaldo Lima, que criou um método de escrita chamado "Escrevendo a partir do lado direito do cérebro". Nele, a pessoa primeiro escreve o que vier à cabeça usando a emoção, que rege o lado direito do cérebro, sem se preocupar com a forma e o português. Depois de um tempo entra a lógica, comandada pelo outro lado do cérebro: você relê e corrige a ortografia. Clarice, que teve a escrita como profissão, não relia o que escrevia. Eu releio e reescrevo até ficar simpático. O importante é se expressar, imortalizar um sentimento. Já dizia o poeta chileno Pablo Neruda: "Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias".
Renata Pucci



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Mother!

Solo Épico. Com uma guitarra épica.
Bruno Gorski. O meu amor. ~Ç

Cort M600T BBB


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15.10.11

Ideias para uma vida mais feliz [33]

33. Vá ao Barbeiro

Estava andando à toa, sem direção. No caminho, passei em frente ao salão de barbeiro. Resolvi entrar. Logo fui recebido por um senhor, impecável em seu avental branco. "Então, jovem, o que vai ser hoje?", disse batendo com a toalha na cadeira de couro. Pedi para fazer a barba. Sentei. Sem saber, um ritual estava sendo iniciado. Primeiro veio o avental, depois a toalha, em seguida a conversa. "E o Passarela, cai ou não cai?" Com a cabeça, fiz um sinal positivo. "Para que time o senhor torce?", perguntou-me enquanto passava a espuma no meu rosto. Lembrei-me da primeira vez que surrupiei o aparelho de barbear do banheiro do meu pai e me pus a barbear. Devia ter 15 anos. "Tricolor", disse. E a conversa prosseguiu. Senti-me tomado por um sentimento nostálgico, uma lembrança daquela noite, em que me senti tão maduro. Temas dos mais variados foram tratados. Entre uma e outra história, apenas o som seco da navalha (acredite: é bom de ouvir). E assim fui voltando a condição imberbe de criança. "Tá pronto, ô pó-de-arroz", ouvi enquanto era benzido com aquela demão de talco de lata. Nessa hora tive a certeza de que aquele cheiro era atemporal. Mais: que representava o final do ritual. Levantei e paguei pela barba, pela conversa e pela terapia. Uma barganha.
Fernando Naigeborin



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